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13/09/2023

Trapeze - Discografia.

Uma das bandas mais faladas e menos conhecidas dentro do mundo do rock é o Trapeze. 99% das revistas e sites especializados definem a banda como sendo "o power trio de onde saíram Glenn Hughes, Mel Galley e Dave Holland" (que tornariam-se famosos posteriormente com Deep Purple, Whitesnake e Judas Priest, respectivamente). Porém, na sua carreira de 13 anos, o Trapeze lançou seis álbuns de estúdio e três ao vivo, sendo que destes, apenas dois foram com a formação citada acima.
 


Trapeze (1970)

O primeiro LP do Trapeze é uma pérola a ser descoberta pelos apreciadores de música. Na época de seu lançamento, o grupo tinha na sua formação John Jones (voz, instrumentos de sopro), Terry Rowley (guitarras, teclados, flauta, voz), Mel Galley (guitarras, voz), Glenn Hughes (baixo, voz) e Dave Holland (bateria, percussão). Jones era quem capitaneava as letras, enquanto Rowley comandava a composição das músicas. Ligados à gravadora London Records, o grupo contou com a produção de John Lodge (The Moody Blues) nesse primeiro álbum, que apresenta algo totalmente diferente do que o Trapeze faria depois. Canções suaves ("It's Only A Dream", "Nancy Gray", "It's My Life") mostravam ao mundo um grupo que estava começando a dar seus primeiros passos em direção ao mundo beat, mas que lutava contra o hard impregnado nas veias de Hughes, Holland e Galley ("The Giant's Dead Hoorah", "Wings", "Another Day"). Com Jones sendo o chefe-mor, a maioria das canções é cantada por ele, e Hughes ficou com apenas algumas faixas a serem interpretadas. O trabalho vocal desse álbum é digno de destaque. Faixas como "Over", "Nancy Gray", Fairytale/Verily Verily/Fairytale" e "It's My Life" demonstram que o grupo batalhava por um lugar ao sol como mais uma grande banda vocal. Destaque para as sombria "Suicide" (onde Rowley viaja no órgão) e "Am I", bem como a canção mais famosa do LP, a balada "Send Me No More Letters". 

Medusa (1970)

Rowley e Jones abandonaram o Trapeze por problemas internos com a London Records, e assim, nascia o power trio que é falado até hoje, tendo Hughes na liderança dos vocais. O LP de estreia da nova formação é uma paulada. Um disco tentando buscar raízes no funk ("Black Cloud", "Your Love Is Alright" e "Touch My Life") mas puxando muito para o rock progressivo, em canções longas como "Jury" e "Medusa". Esse álbum registra uma das melhores performances de Hughes no vocal: "Seafull". Essa canção possui o riff mais bonito da história do Trapeze, arrepiando até a unha. Para os que procuram algo do Deep Purple, ouçam "Makes You Wanna Cry" e sintam-se dentro de Come Taste the Band (1975). 

You Are the Music... We're Just the Band (1972)

O álbum mais famoso do Trapeze. Recheado de clássicos, é o disco derradeiro para Hughes ir parar no Deep Purple. Se a performance no álbum anterior era soberba, aqui ele compôs cinco das oito faixas sozinho, estraçalhando a garganta em faixas como "Coast to Coast", "What Is A Woman's Role" e "Will Our Love End". Outro destaque vai para o uso de metais e de convidados como B. J. Cole tocando slide guitar ("Keepin' Time", "Coast to Coast") e Rod Argent no piano elétrico ("Feelin' So Much Better Now" e "Loser"). Aqui, o Trapeze achava seu estilo definitivo, que seguiria nos álbuns seguintes, e ele está nas faixas "Way Back To The Bone" e "You Are The Music". Riffs abafados, batidas dançantes e refrões grudentos davam a receita para o futuro do grupo, mas agora não mais como um power trio. 

Hot Wire (1974)

Glenn Hughes foi para o Deep Purple, e para seu lugar, Holland e Galley chamaram Pete Wright (baixo) e Rod Kendrick (guitarras). Com a saída de Hughes, Galley assumiu os vocais e também o slide guitar, mantendo as melodias vocais de You Are the Music... Canções embaladas ("Back Street Love", "Take It On Down The Road" e "Make Up Shake Up") faziam do Trapeze um grupo diferente dentro do hard setentista, mesclando peso com o funk em doses exatas, propiciando ao ouvinte saúde suficiente para dançar pela sala ao mesmo tempo que batia a cabeça como um bom roqueiro. Ouça "Turn It On", "Goin' Home" e "Midnight Flyer" para verificar como a mão direita de Galley criava riffs funkeados fantásticos. Destaque maior para os quase 9 minutos de "Feel It Inside", onde vocalizações femininas transformam o Trapeze em uma cópia de Ike & Tina Turner, em um embalo sensacional. 

Trapeze (1976)

Um ano após o lançamento de Hot Wire e com o mesmo time, o Trapeze começava a entrar em decadência. As baixas vendas do álbum anterior fizeram com que Galley tivesse que recorrer a vários convidados para poder terminar esse LP. Canções excelentes acabaram ficando escondidas dentro de um dos álbuns mais injustiçados da história. "Monkey" é um boogie ZZ Topiano para Billy Gibons não botar defeito, assim como "Soul Stealer", "Star Breaker" e "The Raid" mantém o padrão de swingueira dos álbuns anteriores. Metais estão presentes em quase todo o LP, que tem seus momentos máximos com a participação de nada mais nada menos que Glenn Hughes, na ótimas balada "Chances" e na mais que Trapeze "Nothin' for Nothing". Um ótimo disco, apesar de muitos criticarem a forma como foi construído. 

Hold On (1979) 

Com Peter Goalby (que futuramente cantaria no Uriah Heep) nos vocais, o Trapeze voltou em 1978 e lançou Hold On. Novamente, Galley se cercava de vários convidados, como Marvin Spence (Wishbone Ash) e Geoff Downes (The Buggles, Yes, Asia). Apesar de ser pouco conhecido, é um bom disco, que em alguns momentos lembra a fase do Grand Funk Railroad pós-Shinin' On. São vários os pontos de destaque, como o solo de slide em "Don't Ask Me How I Know", as ótimas e dançantes "Take Good Care", "When You Go To" e "Running", essa última tendo os vocais divididos entre Goalby e Mel, e é um AOR bem interessante, que não sei como não virou trilha de alguma propaganda de cigarro. Uma das melhores faixas do LP, com certeza! Duvido que você não saia cantando o refrão que entoa o nome da faixa. Para os que procuram algo mais na linha do que o Trapeze gravara até ali, comecem o disco por "Livin' on Love", a mais funkeada do álbum, com uma bela participação de Holland. Farofeiros, ouçam "Don't Break My Heart". A bela introdução com arranjo de cordas e piano é seguida por uma imbalante e grudenta canção, com frases que ficarão na cabeça por alguns dias. As cordas também aparecem em "You Are" e "Time Will Heal". O instrumental dessa última é muito bom, com as cordas fazendo um dueto com Mel, e a canção deixando aquela sensação de "como seria isso com o Hughes?". Fuja da faixa título! Goalby tentando imitar o estilo de Hughes ao cantar não dá para aguentar. Como curiosidade, Hold On foi lançado com uma capa totalmente diferente na Alemanha, com o nome de Running, e tendo quatro belíssimas loiras totalmente nuas se expondo ao ouvinte. Só essa capa já vale o investimento. Texto: Mairon Machado. 

Integrantes.

Última Formação.

Mel Galley (Guitarra, 1969-1994)
Dave Holland (Bateria, Percussões, 1969-1979, 1991-1994)
Glenn Hughes (Vocais, Guitarra, Baixo, Piano, Trombone, 1969-1973, 1991-1994)
Craig Erickson (Guitarra, 1994)
 

Ex - Integrantes.

John Jones (Vocais, Trompete, 1969-1970)
Pete Wright (Baixo, 1974-1981)
Terry Rowley (Teclado, Flauta, 1969-1970
Steve Bray (Bateria, 1980-1982)
Peter Goalby (Vocal e Guitarra, 1978-1981)
Rob Kendrick (Vocais, Violão, 1974-1976)
Mervyn "Spam" Spence (Vocais, Baixo, 1982)
Richard Bailey (Teclado, 1982)
Geoffrey Downes (Teclado, 1991)

Trapeze (1970)
01. It’s Only A Dream
02. The Giant’s Dead Hoorah!
03. Over
04. Nancy Gray
05. Fairytale
06. It’s My Life
07. Am I
08. Suicide
09. Wings
10. Another Day
11. Send Me No More Letters
12. It’s Only A Dream


Medusa (1970)
01. Black Cloud
02. Jury
03. Your Love Is Alright
04. Touch My Life
05. Seafull
06. Makes You Wanna Cry
07. Medusa


You Are The Music…We’re Just The Band (1972)
01. Keepin’ Time
02. Coast To Coast
03. What Is A Woman’s Role
04. Way Back To The Bone
05. Feelin’ So Much Better Now
06. Will Our Love End
07. Loser
08. You Are The Music, We’re Just The Band
 


The Final Swing (Compilation And Rarities, 1974)
01. Send Me No More Letters
02. Your Love Is Alright
03. Black Cloud
04. Medusa
05. Coast To Coast
06. Will Our Love End
07. You Are The Music
08. Good Love (New Track)
09. Dat's It (New Track, Was Played At Live Shows For 2 Years Prior Recorded)


Hot Wire (1974)
01. Back Street Love
02. Take It On Down The Road
03. Midnight Flyer
04. Wake Up, Shake Up
05. Turn It On
06. Steal A Mile
07. Goin’ Home
08. Feel It Inside


Live At The Boat Club (1975)
01. Back Street Love
02. You Are the Music
03. Jury
04. Star Breaker
05. Way Back to the Bone
06. Medusa
07. Black Cloud
08. Sunny Side of the Street
09. The Raid


Trapeze (1976)
01. Star Breaker
02. It’s Alright
03. Chances
04. The Raid
05. On the Sunny Side of the Street
06. Gimme Good Love
07. Monkey
08. I Need You
09. Soul Stealer
10. Nothin’ for Nothing


Hold On (1979)
01. Don’t Ask Me How I Know
02. Take Good Care
03. When You Go to Heaven
04. Livin’ on Love
05. Hold On
06. Don’t Break My Heart
07. Running
08. You Are
09. Time Will Heal


Live In Texas: Dead Armadillos (1981)
01. Back Street Love
02. Hold On
03. Midnight Flyer
04. You Are the Music
05. Black Cloud
06. Way Back to the Bone


Welcome To The Real World Live (1992)
01. You Are The Music
02. Way Back to the Bone
03. Welcome To The Real World
04. Coast to Coast
05. Midnight Flyer
06. Homeland
07. Touch My Life
08. Your Love Is Alright
09. Black Cloud


High Flyers: The Best Of Trapeze, 1970/1974 (1996)
01. Send Me No More Letters
02. Your Love Is Alright
03. Black Cloud
04. Medusa
05. Coast To Coast
06. Will Our Love End
07. You Are The Music
08. Good Love
09. Dat’s It
10. Send Me No More Letters (US Version)

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