Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript!

02/06/2024

Dust - Discografia.

Nova Iorque, 1969. Um baterista de apenas treze anos de idade começa a se destacar, pelo seu estilo veloz e pesado de tocar, inspirado principalmente por Keith Moon e Mitch Mitchell. Não tardou para despertar a atenção de Richie, que lhe propõe montar uma banda para tocar covers do
The Who e do Jimi Hendrix , duas de suas três grandes paixões (a outra era The Beatles ).


Durante um bom tempo prosseguem tocando nos bares e colégios da região, tendo passado diversos instrumentistas pelo baixo, até que em meados daquele ano, estava na plateia o velho amigo de Richie, o baixista Kenny Aaronson, que horas mais tarde receberia um convite para se integrar ao grupo, já batizado de Dust. 

Nisto, já em 1971, entra na história Neil Bogart, executivo da Kama Sutra (subsidiária da Buddah Records), que chegou até a banda através de Domenic Facilia, que estava empresariando os garotos. Acontece que Bogart estava interessado em expandir seus horizontes financeiros, investindo em grupos que tivessem uma sonoridade mais "pesada", pois o grande filão que movimentava a Kama Sutra, que eram as bandas bubblegum (Ohio Express, 1910 Fruitgum Company e outros), não estava mais rendendo tanto quanto antes (por causa desta fama da gravadora é que algumas pessoas pensam erroneamente que o Dust faz parte do gênero).

Bogart oferece um contrato para o grupo, que imediatamente grava no Bell Sound Studio seu primeiro álbum, lançado em meados daquele mesmo ano, tendo sido precedido por um single com a canção "Stone Woman" em ambos lados (o lado A trazia a versão mono, e o B a versão estéreo). 

Embora não fosse exatamente um sucesso de vendas, o álbum lhes garante uma certa credibilidade, que lhes renderia a única turnê que fariam fora da cidade de Nova Iorque, abrindo alguns shows para Alice Cooper.

Ainda no final do ano sai mais um single, novamente trazendo a mesma canção em ambos lados em sua versão mono/estéreo: desta vez a escolhida foi "Love Me Hard", porém numa versão diferente da editada no álbum (este outtake pode ser encontrado na edição em CD da gravadora One Way, ao contrário do lançamento da Repertoire Records, que traz somente as faixas do álbum original). 

E no início de 1972, os garotos entram novamente no mesmo estúdio para registrar seu 2º e derradeiro trabalho, "Hard Attack", lançado pouco tempo depois, trazendo na capa uma belíssima ilustração de Frank Frazetta, famoso cartunista de Nova Iorque, que galgou sucesso tardio aqui no Brasil com uma das encarnações da saga "Conan, O Bárbaro". 

Porém, apesar de todo este esmero na parte gráfica e na produção (impecável, diga-se de passagem), mais uma vez o disco não alcança boas vendas, e as poucas chances de excursionar fora da cidade eram "sabotadas" por Marc, que na época contava com apenas 16 anos de idade e não podia largar a escola (era estudante secundário). E Richie Wise, ao que parece, estava um tanto quanto desencantado com a função de músico, passando a se interessar mais em atuar nos bastidores. 

Provavelmente estes foram os motivos levaram a banda a encerrar atividades em meados daquele mesmo ano. 

Todos os integrantes do Dust construiriam uma carreira de sucesso dentro do meio musical; Richie Wise, que abandonaria a guitarra logo após sair do grupo (só viria a tocar muito esporadicamente em algumas sessões de estúdio) se torna um renomado produtor ao lado de seu amigo Kenny Kerner, tendo a dupla produzido, entre outros, discos do Badfinger, Glady's Knights & The Pips e seu maior sucesso comercial, o Kiss, que se tornou o carro-chefe da gravadora Casablanca Records, fundada por Neil Bogart, assim que saiu da Kama Sutra. 

Kenny Aaronson, que logo em seguida ingressaria no Stories, com quem grava seu maior sucesso comercial ("Brother Louie"), constrói uma gigantesca folha corrida, tendo trabalhado com Rick Derringer, Foghat, Blue Öyster Cult, Bob Dylan, Leslie West, Joan Jett e muitos, muitos outros (clique aqui para ler uma entrevista com o baixista). 

Já Marc Bell se constitui num caso pitoresco: logo após o fim do grupo, ele vai para o Estus, quarteto americano que deixa apenas um disco gravado em 1973, tendo no ano seguinte atuado na banda do bluesmen

Dave Bromberg, que registra um disco naquele mesmo ano juntamente com
Johnny Shines (lançado somente em 1992) e em 1976 se junta ao
Richard Hell & The Voivoids . Porém a fama viria mesmo em 1978, quando ingressa no Ramones, e muda seu nome artístico para Marky Ramone. 

Durante muitos anos pensei que se tratava de uma lenda a associação entre o baterista do Dust e o do Ramones, até ler numa entrevista a confirmação dele que de fato se trata da mesma pessoa. O motivo? Bem, compare as "viradas" e a "pegada" da primeira banda com a segunda, e depois me diga se parece ser o mesmo instrumentista... 

Interessante notar que o grupo era incendiário não apenas em estúdio, como pode ser constatado na única gravação ao vivo existente (até onde eu sei), registrando pouco mais de quarenta minutos de uma apresentação no Brooklyn em 19/11/1971, mas que infelizmente conta com uma qualidade sonora péssima. 

Outro detalhe é que eles apresentam neste show três músicas inéditas, o que pode ser um indicativo que de fato eles deixaram material de sobra para um terceiro álbum, tal qual se comenta. Se for verdade, esperamos que algum dia isto venha à tona. 

Uma pergunta que sempre pairou no ar em relação ao Dust é: por qual motivo eles não fizeram sucesso? É indiscutível a qualidade dos seus dois únicos álbuns, tanto na parte das composições quanto na produção, além da competência técnica dos músicos, que formaram o que poderia vir a ser dos maiores power trio da história do Rock. 

Apenas duas faixas - "Love Me Hard" e "Suicide" - já valem a aquisição de ambos, quem não as conhece pode ouvir um trecho em Real Audio no site da Aquarius Records.

Talvez a resposta resida no fato deles terem vindo na hora certa, mas no local errado, pois o tipo de som que faziam era mais próximo das bandas inglesas da época, ao contrário do que rolava em Nova Iorque... Texto: Marcos A. M. Cruz (Whiplash). 

Integrantes.

Richie Wise (Guitarra, Vocais)
Kenny Aaronson (Baixo)
Marc Bell (Bateria)
Kenny Kerner (Produtor)




Bitrate: 320Kbps.
 
Álbuns.

Dust (1971)
01. Stone Woman (4:03) 
02. Chasin' Ladies (3:39) 
03. Goin' Easy (4:30) 
04. Love Me Hard (5:30) 
05. From a Dry Camel (9:52)
06. Often Shadow Felt (5:12)
07. Loose Goose (3:49)

Hard Attack (1972)
01. Pull Away - So Many Times (5:02)
02. Walk in the Soft Rain (4:25)
03. Thusly Spoken (4:27) 
04. Learning to Die (6:26) 
05. All in All (4:06) 
06. I Been Thinkin´ (2:12) 
07. Ivory (2:42)
08. How Many Horses (4:27)
09. Suicide (4:40) 
10. Entanco (0:30) 

Link.

Hard Attack & Dust, 1972-1971 (Remastered 2013)
  Hard Attack (1972)
01. Pull Away/So Many Times (5:02)
02. Walk In The Soft Rain (4:25)
03. Thusly Spoken (4:27)
04. Learning To Die (6:27)
05. All In All (4:06)
06. I Been Thinkin' (2:12)
07. Ivory (2:42)
08. How Many Horses (4:18)
09. Suicide (4:53)
10. Entrance (0:19)
Dust (1971)
11. Stone Woman (4:03)
12. Chasin' Ladies (3:39)
13. Goin' Easy (4:30)
14. Love Me Hard (5:30)
15. From A Dry Camel (9:52)
16. Often Shadows Felt (5:12)
17. Loose Goose (3:49)


Link.

 
Perguntas, avisos ou problemas no blog, entre em contato através do e-mail: alex.classicrock@yahoo.com.br
 
Por vários motivos esse Blog não atende pedidos de discografias, e-mails ignorando este aviso serão marcados como Spam.